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Por que a colaboração internacional em doenças raras é essencial

July 22, 2026
Por que a colaboração internacional em doenças raras é essencial

A colaboração internacional não é um complemento desejável no campo das doenças raras. É a condição de base sem a qual o diagnóstico, a investigação e o tratamento simplesmente não avançam. Com prevalências inferiores a 5 casos por 10.000 pessoas, estas doenças afetam populações demasiado pequenas para que qualquer país, mesmo os mais desenvolvidos, consiga reunir sozinho os dados, os especialistas e os recursos necessários. Portugal não é exceção. A resposta passa por redes como as Redes Europeias de Referência (RER), projetos como o CPLP-RARAS, programas como o Programa Internacional de Doenças Não Diagnosticadas (UDNI) e o enquadramento normativo da Organização Mundial de Saúde (OMS), que juntos tornam possível o que nenhum sistema nacional consegue fazer isoladamente.

Por que a cooperação global é indispensável para as doenças raras

A lógica é direta: quando uma doença afeta menos de 5 em cada 10.000 pessoas, nenhum hospital, nenhuma universidade e nenhum ministério da saúde acumula casos suficientes para gerar conhecimento clínico fiável. A dispersão geográfica dos doentes obriga à concentração de recursos à escala supranacional.

  • Prevalência limitada exige massa crítica global. A raridade define o problema central: sem doentes suficientes num único país, os ensaios clínicos são inviáveis, os registos ficam incompletos e os profissionais de saúde raramente veem mais do que um ou dois casos ao longo de toda a carreira.
  • Partilha de dados e conhecimento clínico. As redes internacionais de investigação expõem as ideias ao escrutínio de outras perspetivas científicas, aceleram a inovação e elevam o impacto das publicações.
  • As RER como estrutura de referência europeia. As Redes Europeias de Referência reúnem centros de excelência de vários países da UE para partilhar casos clínicos, protocolos e conhecimento especializado, sem que o doente precise de atravessar fronteiras.
  • Projetos lusófonos como o CPLP-RARAS. Esta iniciativa conecta profissionais de saúde e investigadores dos países de língua portuguesa, criando bases comuns para a saúde digital, a formação e a investigação conjunta em doenças raras.
  • O UDNI como modelo de diagnóstico multinacional. O Programa Internacional de Doenças Não Diagnosticadas reúne centros de referência de vários continentes para resolver casos que permanecem sem diagnóstico nos sistemas nacionais.
  • Benefícios sistémicos para além do doente individual. A cooperação gera protocolos replicáveis, fortalece a capacidade técnica dos profissionais locais e cria modelos que podem ser aplicados noutras áreas da medicina.
  • Enquadramento normativo da OMS. A OMS define padrões epidemiológicos, promove redes multilaterais e disponibiliza instrumentos de classificação que permitem a comparabilidade internacional dos dados.

A ausência de cooperação não é apenas uma limitação científica. É uma injustiça para os doentes que aguardam anos por um diagnóstico que existe algures no mundo, mas nunca chega até eles.

Qual é o papel da OMS na resposta global às doenças raras?

A Organização Mundial de Saúde ocupa uma posição singular neste ecossistema: não financia diretamente a investigação clínica, mas define as regras do jogo que tornam a colaboração possível. Sem normas partilhadas de classificação e codificação, os dados de um país são incomparáveis com os de outro, e a cooperação perde grande parte do seu valor.

  • Classificação Internacional de Doenças (CID-11). A CID-11, lançada em 2022, inclui codificação específica para doenças raras, permitindo que os sistemas de saúde de diferentes países identifiquem e comparem casos com rigor metodológico.
  • Promoção de redes multilaterais. A OMS incentiva a criação de redes de cooperação entre estados membros, facilitando o intercâmbio de boas práticas e a harmonização de políticas de saúde para condições de baixa prevalência.
  • Normas epidemiológicas partilhadas. A definição de critérios comuns para o que constitui uma doença rara, e como a classificar, é o pré-requisito para qualquer registo internacional funcional.
  • Sinergia com a Orphanet e o IRDiRC. A OMS colabora com plataformas como a Orphanet, o portal europeu de referência para doenças raras e medicamentos órfãos, e com o Consórcio Internacional para a Investigação sobre Doenças Raras (IRDiRC), que reúne financiadores e investigadores de todo o mundo.
  • Instrumentos para países membros. Através de webinares, orientações técnicas e documentos normativos, a OMS apoia os estados membros na implementação de sistemas de codificação compatíveis com os padrões internacionais.
  • Implicações para Portugal. A adoção da CID-11 pelo Serviço Nacional de Saúde é um passo concreto para que os dados portugueses sobre doenças raras sejam comparáveis com os dos parceiros europeus e internacionais, abrindo portas à participação em registos multinacionais.

Dica profissional: A implementação do ORPHAcode, sistema de classificação de doenças raras validado internacionalmente e integrado na Orphanet, é uma das medidas mais acessíveis e de maior impacto que os serviços de saúde portugueses podem adotar para melhorar a comparabilidade dos seus dados com os parceiros europeus.

O papel normativo da OMS é frequentemente subestimado por profissionais focados na investigação clínica. Mas sem essa infraestrutura de classificação, a partilha de dados entre países seria tecnicamente inviável.

Infografia sobre o papel da OMS na abordagem das doenças raras: principais fases e intervenções

Como funcionam as iniciativas da UE e as Redes Europeias de Referência?

A União Europeia construiu, ao longo de duas décadas, o ecossistema mais estruturado do mundo para a cooperação em doenças raras. O seu objetivo estratégico é claro: melhorar o acesso dos doentes ao diagnóstico, à informação e aos cuidados de saúde, congregando recursos limitados distribuídos por toda a UE.

  • As 24 Redes Europeias de Referência. As RER reúnem centros de excelência de vários países da UE em domínios médicos específicos, desde doenças metabólicas hereditárias a tumores raros. Permitem que os profissionais partilhem casos clínicos complexos em tempo real, sem que o doente precise de se deslocar.
  • O programa EJP RD. O Programa Europeu Conjunto para as Doenças Raras, lançado em 2019, reúne financiadores de investigação, universidades, hospitais e organizações de doentes de mais de 135 instituições em 35 países, com financiamento da UE de 55 milhões de euros num investimento total superior a 100 milhões de euros.
  • O consórcio ERICA. Criado em 2021, o ERICA coordena as atividades de investigação clínica das 24 RER, criando uma plataforma colaborativa para a partilha de conhecimento e boas práticas entre grupos de investigação transdisciplinares.
  • A Parceria Europeia ERDERA. Com financiamento da UE até 150 milhões de euros no âmbito do programa Horizonte Europa, a ERDERA visa desenvolver novos métodos de diagnóstico e apoiar melhorias concretas na prevenção e tratamento das doenças raras.
  • A Plataforma Europeia para o Registo de Doenças Raras. Desenvolvida pelo Centro Comum de Investigação em colaboração com a Comissão Europeia, esta plataforma proporciona um ponto de acesso unificado aos registos de doenças raras e a todas as fontes de dados na Europa, seguindo os princípios FAIR de gestão de dados.
  • Integração com os sistemas nacionais. A ação conjunta JARDIN trabalha especificamente na integração das RER nos sistemas nacionais de saúde, promovendo a sustentabilidade das iniciativas europeias a nível local.
  • Portugal nas RER. Os centros de referência portugueses participam nas RER, o que significa que os profissionais de saúde nacionais têm acesso direto ao conhecimento especializado dos melhores centros europeus para cada área médica.

A arquitetura europeia para as doenças raras é, na prática, o maior laboratório colaborativo do mundo neste domínio. Para os decisores políticos portugueses, compreender esta estrutura é o primeiro passo para tirar partido dela de forma sistemática.

Dica profissional: Os centros especializados europeus integrados nas RER funcionam como consultores virtuais para os profissionais de saúde nacionais. Qualquer médico português que enfrente um caso complexo pode, através do centro de referência nacional correspondente, submeter o caso a uma equipa multinacional de especialistas sem custos adicionais para o doente.

Que projetos colaborativos internacionais têm impacto direto em Portugal?

Três iniciativas merecem atenção particular de qualquer profissional ou decisor português que trabalhe nesta área. Cada uma ilustra um modelo diferente de cooperação e oferece lições concretas para o contexto nacional.

O projeto CPLP-RARAS conecta e fortalece redes de profissionais nos países de língua portuguesa, criando bases de ação em saúde digital, formação e investigação conjunta em doenças raras. A missão é ambiciosa: construir uma infraestrutura partilhada que permita a Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e outros países lusófonos colaborar de forma estruturada, evitando a duplicação de esforços e maximizando o impacto dos recursos disponíveis. Para Portugal, este projeto representa uma oportunidade de posicionamento como hub de conhecimento para os países lusófonos com menor capacidade técnica instalada.

  • O CPLP-RARAS trabalha na harmonização de marcos regulatórios entre países lusófonos, um dos obstáculos mais persistentes à cooperação efetiva.
  • A conectividade territorial entre países com realidades sanitárias muito distintas exige diplomacia técnica e mecanismos de governança específicos.
  • A formação conjunta de profissionais de saúde é uma das componentes mais imediatas e de maior retorno desta iniciativa.

O mutirão científico no Instituto Karolinska é um dos exemplos mais citados de cooperação diagnóstica internacional. Reuniu 100 especialistas de 28 países para trabalhar em casos de doenças raras que permaneciam sem diagnóstico nos respetivos sistemas nacionais. O resultado foi a resolução de casos que tinham resistido a anos de investigação isolada. Este modelo de hackathon científico demonstra que a agregação temporária de conhecimento disperso pode produzir resultados que nenhuma equipa nacional conseguiria alcançar sozinha.

O Programa Internacional de Doenças Não Diagnosticadas (UDNI) opera numa lógica semelhante, mas de forma permanente e estruturada. Reúne centros de referência de vários continentes para partilhar casos não diagnosticados, metodologias de investigação e dados genómicos. Para Portugal, a participação neste programa significa acesso a uma rede de diagnóstico que vai muito além das capacidades do sistema nacional.

Estes três modelos não são mutuamente exclusivos. Um doente português pode beneficiar simultaneamente da rede CPLP-RARAS para acesso a conhecimento lusófono, das RER para consulta com especialistas europeus e do UDNI para casos que permanecem sem diagnóstico após todos os outros recursos terem sido esgotados.

Que impacto concreto tem a cooperação global no diagnóstico e tratamento?

O impacto da colaboração internacional não é abstrato. Manifesta-se em diagnósticos que chegam mais cedo, em terapias que de outra forma nunca chegariam a determinados países e na capacidade crescente dos profissionais de saúde locais para lidar com condições que raramente veem.

A redução do tempo até ao diagnóstico é o benefício mais imediato. Quando um profissional de saúde em Lisboa pode submeter um caso complexo a uma rede multinacional de especialistas, o percurso diagnóstico encurta-se de forma significativa. O diagnóstico precoce obtido através de cooperação internacional representa avanços concretos para doentes, famílias e para a própria ciência, abrindo caminho a novos métodos e tratamentos. Para doenças raras, onde o atraso diagnóstico médio pode durar anos, esta diferença é clinicamente decisiva.

  • Acesso a terapias inovadoras. A colaboração internacional acelera o acesso a tratamentos experimentais e a ensaios clínicos que, de outra forma, não estariam disponíveis em países com mercados pequenos como Portugal. Os tratamentos experimentais para doenças raras dependem frequentemente de redes internacionais para recrutar doentes suficientes.
  • Medicina de precisão e genómica. A partilha de dados genómicos entre países permite identificar variantes patogénicas raras que seriam invisíveis em coortes nacionais. A medicina de precisão em doenças raras é, por definição, uma disciplina internacional.
  • Capacitação dos profissionais locais. A participação em redes internacionais expõe os profissionais de saúde portugueses a casos e metodologias que não encontrariam no contexto nacional, elevando a qualidade do diagnóstico e do tratamento a nível local.
  • Diagnósticos resolvidos por equipas multinacionais. O modelo do Instituto Karolinska mostrou que a concentração temporária de especialistas de 28 países consegue resolver casos que resistiram a anos de investigação isolada.
  • Conexão entre investigação e prática clínica. As redes internacionais encurtam o percurso entre a descoberta científica e a sua aplicação clínica, um dos maiores problemas estruturais da medicina para doenças raras.

A integração de dados do mundo real em registos internacionais é outro vetor de impacto frequentemente subestimado. Quando os dados clínicos portugueses alimentam registos europeus e globais, contribuem para estudos que beneficiam doentes em todo o mundo e, simultaneamente, dão aos investigadores nacionais acesso a conjuntos de dados que de outra forma seriam inacessíveis.

Quais são os principais desafios da cooperação internacional para Portugal?

A cooperação internacional em doenças raras não é isenta de tensões. O Conselho Internacional de Ciência é explícito: a colaboração científica global é vital mas vulnerável, e garantir que beneficia equitativamente países com menor capacidade técnica exige esforço deliberado.

Portugal enfrenta um conjunto de desafios específicos que qualquer estratégia de cooperação tem de considerar.

Recursos e infraestrutura tecnológica. A participação efetiva em redes internacionais exige investimento em sistemas de informação compatíveis, em capacidade de sequenciação genómica e em profissionais com formação especializada. Sem essa base, a cooperação fica limitada à receção passiva de conhecimento, sem contribuição real para as redes.

Harmonização regulatória e proteção de dados. A partilha de dados clínicos entre países envolve quadros regulatórios distintos, incluindo o RGPD na UE e legislações nacionais específicas. A negociação destes aspetos exige competências jurídicas e diplomáticas que nem sempre estão disponíveis nas instituições de saúde portuguesas.

  • Propriedade intelectual. Os decisores políticos enfrentam o desafio de proteger os interesses nacionais em matéria de propriedade intelectual durante a cooperação, exigindo habilidades diplomáticas para equilibrar a partilha científica com a proteção tecnológica.
  • Dependência tecnológica. A cooperação internacional traz vantagens como a partilha de custos e o acesso a tecnologias avançadas, mas também riscos como a perda de autonomia e a criação de dependências que exigem negociações cuidadosas.
  • Fragmentação institucional. A dispersão de competências entre hospitais, universidades, institutos de investigação e organismos reguladores dificulta a apresentação de uma posição nacional coerente nas negociações internacionais.
  • Papel das organizações de doentes. As organizações de doentes desempenham um papel estratégico na identificação de necessidades reais, no apoio a famílias e no fortalecimento da participação social, sendo parceiros indispensáveis para a sustentabilidade das políticas de doenças raras.
  • Investimento público e privado. A sustentabilidade da cooperação internacional depende de financiamento estável, que combine fundos europeus, orçamento nacional e parcerias com o setor privado.

O dilema estrutural entre os interesses nacionais imediatos e os benefícios globais a longo prazo é real. Mecanismos de governança harmonizados e conectividade específica entre países são a resposta mais eficaz para evitar que este dilema paralise a cooperação. Para os decisores políticos portugueses, a lição prática é que a cooperação deve ser gerida ativamente, não apenas facilitada passivamente.

A consciencialização sobre doenças raras entre profissionais de saúde é outro fator limitante. Quando poucos médicos reconhecem estas condições, a referenciação para redes internacionais raramente acontece no momento certo.

Como a cooperação global fortalece o sistema de saúde português e a investigação personalizada?

A colaboração internacional em doenças raras produz efeitos que vão muito além dos doentes diretamente envolvidos. Fortalece o sistema de saúde como um todo, cria modelos replicáveis noutras áreas e posiciona Portugal como parceiro científico credível no contexto europeu e lusófono.

A resiliência do sistema de saúde é um dos benefícios sistémicos mais relevantes. Quando os profissionais portugueses participam em redes internacionais, desenvolvem competências que aplicam em toda a sua prática clínica, não apenas nos casos raros. Os protocolos de diagnóstico genómico, as metodologias de investigação clínica e as ferramentas de gestão de dados aprendidos no contexto das doenças raras têm aplicação direta noutras especialidades.

  • Modelos replicáveis. As compras partilhadas de medicamentos órfãos, os protocolos digitais de partilha de dados e os sistemas de registo desenvolvidos para doenças raras podem ser adaptados para outras condições crónicas de baixa prevalência.
  • Mutirões científicos como catalisadores. Os hackathons e mutirões científicos internacionais são instrumentos de diagnóstico precoce para doenças ultrarraras, possibilitando a agregação de dados dispersos e a inovação em investigação clínica. O modelo do Instituto Karolinska, com 100 especialistas de 28 países, é replicável em contextos regionais e lusófonos.
  • Medicina de precisão como fronteira. A investigação personalizada em doenças raras, que inclui o desenvolvimento de modelos celulares derivados das próprias células do doente e a triagem de compostos terapêuticos, depende de dados genómicos e clínicos que só existem em escala suficiente através da cooperação internacional.
  • Participação de instituições portuguesas. A presença ativa de hospitais e universidades portuguesas nas RER e no EJP RD não é apenas um benefício para os doentes nacionais. É um investimento na credibilidade científica e na capacidade negocial de Portugal nos fóruns europeus.
  • Tendências para 2026 e além. A inteligência artificial aplicada à análise de dados genómicos, os registos interoperáveis baseados nos princípios FAIR e as plataformas de telemedicina para consulta multinacional são as ferramentas que vão definir a próxima geração de cooperação em doenças raras.

A produção científica em colaboração internacional tem consistentemente maior impacto do que a produção exclusivamente nacional. Para Portugal, que dispõe de um sistema científico de dimensão média, esta diferença de impacto é um argumento económico e político para o investimento continuado na cooperação.

O papel das organizações de doentes merece destaque especial neste contexto. São elas que identificam as necessidades reais, que mobilizam famílias e que garantem que a voz dos doentes está presente nas decisões políticas e científicas. Os recursos de apoio a doentes com doenças raras são tanto mais eficazes quanto mais integrados estiverem nas redes internacionais de conhecimento e advocacia.

Mãos de investigador dedicadas ao desenvolvimento de soluções personalizadas

A cooperação internacional não é, portanto, uma opção entre outras para o sistema de saúde português. É o mecanismo pelo qual Portugal pode oferecer aos seus doentes com doenças raras o mesmo nível de cuidados que os melhores centros europeus proporcionam, sem ter de construir sozinho a capacidade que isso exigiria.


A Hopeatrarelabs e a investigação personalizada em doenças raras

https://hopeatrarelabs.com

A Hopeatrarelabs trabalha precisamente na fronteira onde a cooperação internacional e a medicina de precisão se encontram. Através do desenvolvimento de modelos celulares específicos para cada doente, utilizando células estaminais pluripotentes induzidas (iPSC) e edição genómica por CRISPR, a Hopeatrarelabs cria réplicas biológicas da doença de cada doente para testar compostos terapêuticos de forma paralela e rigorosa.

Para profissionais de saúde e investigadores que trabalham com doenças ultrarraras ou não diagnosticadas, o portal de conhecimento da Hopeatrarelabs reúne recursos avançados sobre programas de investigação personalizada, metodologias de triagem terapêutica e modelos de colaboração científica. É um ponto de partida para quem procura soluções concretas quando os caminhos convencionais se esgotaram.


Principais conclusões

A colaboração internacional é o único mecanismo capaz de transformar a raridade de uma doença de obstáculo em oportunidade científica, e Portugal tem instrumentos concretos para participar nessa transformação.

PontoDetalhes
Prevalência define a necessidadeCom menos de 5 casos por 10.000 pessoas, nenhum país reúne sozinho dados suficientes para investigar e tratar doenças raras com eficácia.
As RER são o pilar europeuAs 24 Redes Europeias de Referência permitem a partilha de casos clínicos e conhecimento especializado entre centros de excelência de toda a UE.
O EJP RD mobiliza recursos sem precedenteO programa reúne mais de 135 instituições em 35 países, com financiamento da UE de 55 milhões de euros num investimento total superior a 100 milhões de euros.
O modelo Karolinska é replicávelO mutirão com 100 especialistas de 28 países resolveu casos que resistiram a anos de investigação nacional isolada, um modelo aplicável em contextos lusófonos.
A cooperação fortalece o sistema de saúdeOs protocolos e competências desenvolvidos para doenças raras geram modelos replicáveis noutras áreas da medicina e elevam a capacidade técnica dos profissionais locais.

Recomendação